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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Série: My So-Called Life

My So-Called Life (no Brasil traduzida bregamente como Minha Vida de Cão) é uma série americana que foi ao ar entre 1994 e 1995, e teve como protagonista a (minha) atriz (favorita) Claire Danes em seu primeiro papel, aos 13 anos de idade. Infelizmente nessa época eu tinha apenas 5 anos de idade e não assisti a série em tempo real, mas tive a felicidade de conseguir baixar todos os 19 episódios na internet alguns anos depois. My So-Called Life foi cancelada com uma única temporada - culparam sua baixa audiência pelo fato de a série ser considerada "demasiadamente inteligente para a televisão".

A série gira em torno da garota Angela Chase (Claire Danes), de 15 anos, sua família, amigos e primeiro amor. Falando assim, é de se imaginar que o conteúdo seria um tanto quanto superficial. Mas é somente assistindo para perceber o quão profunda e melancolica essa série foi, permeada por metáforas, ironias e uma pequena dose de humor negro.

Porém, o foco da série não se concentra em excesso em Angela - os outros personagens são bem explorados com igualdade. A irmã mais nova de Angela e seus pais representam, de longe, o verdadeiro retrato american dream, cujos problemas e conflitos são expostos de forma que o telespectador se identifique com pelo menos alguma situação vivida por eles.

Os amigos de Angela são um destaque à parte: a certinha Sharon, que logo se revela mais atirada, a louca Rayanne, álcoolatra, mal comportada e levemente manipuladora, Brian, o nerd chatinho e apaixonado por Angela, e o homossexual Ricky (interpretado pelo ator Wilson Cruz, que logo após descobri como sendo o Angel Melendez, de Party Monster), que é meu personagem favorito e tem uma participação admirável durante a trama.
Para completar, temos o sem graça Jared Leto no papel da grande paixão de Angela, o bonitão Jordan Catalano. Ele praticamente não abre a boca e parece ser tão chato quanto seu personagem, apesar de proporcionar algumas risadinhas ao longo da história.

Meu episódio favorito é o sexto, "The Substitute", no qual um professor substituto de literatura muda a forma como os alunos vêem a matéria e a forma como ela é lecionada, incentivando todos a colocarem o sentimento pra fora nas palavras que vão sendo escritas e aperfeiçoadas ao longo do tempo. É quando alguém escreve um poema um tanto quanto assanhado para o anuário da escola, que, por não ter sido censurado, acaba transitando por toda a escola e causando polêmica. O episódio de Natal, "So-Called Angels" é emocionante, e o episódio final da série, "In Dreams Begin Responsibilities", é igualmente tocante. A série termina com uma icógnita e deixa a gente com um vazio, querendo, se não mais episódios, ao menos um final decente para sabermos o destino de cada personagem.

Em meio a seriados adolescentes atuais fúteis, preocupados principalmente em lançar ícones de moda, a linha seguida por My So-Called Life faz falta. É isso que os jovens de hoje precisam assistir: um pouquinho da própria realidade.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Livro + Filme: Shopgirl

Shopgirl é um livro escrito pelo ator Steve Martin em 2000, e que no Brasil recebeu o título A Balconista. A personagem principal deste livro é Mirabelle Buttersfield, uma jovem de 27 anos bastante solitária e depressiva, que se mudou de Vermont para Beverly Hills para tentar mudar um pouco seu ritmo de vida. Porém, ela acaba parando atrás do balcão de uma loja de departamento vendendo luvas que praticamente ninguém quer comprar. Nesse meio tempo ela acaba se relacionando com dois homens: Ray Porter, rico, mais velho e bem-sucedido, e Jeremy, um jovem atrapalhado sem nenhum futuro aparente.

Enquanto Ray Porter acolhe a carente Mirabelle, ela se afasta aos poucos de Jeremy, com quem não deseja nenhuma relação mais aprofundada. No entanto, Ray também demonstra a vontade de ter uma relação consideravelmente flexível, contrariando as expectativas da moça, cujos conflitos internos aumentam a cada dia. Mirabelle passa a precisar mais do que nunca de um pontapé em sua rotina medíocre, e aos poucos percebe que isso depende unicamente dela.
Para um ator conhecido principalmente por fazer filmes de comédia, Steve Martin me surpreendeu consideravelmente com este livro, que é de uma sensibilidade tremenda e se tornou um dos meus favoritos com uma única leitura. Me identifiquei totalmente com a Mirabelle: não, não sou solitária, nem depressiva e nem triste. Mas não são só essas características que definem a personagem. Ela também tem uma força de vontade enorme escondida dentro dela, e é admirável a maneira com a qual ela liberta esse sentimento. Mirabelle representa muito bem o fato de que as melhores escolhas são as que mais temos medo de fazer. Sua  história é despretenciosa, mas ainda assim envolvente. A mensagem é tirada após a leitura, em nenhum momento o autor nos induz a concluirmos alguma coisa, e esse foi um detalhe que achei bem importante. Espero que Steve Martin escreva muitas outras histórias belíssimas como essa, de verdade.
Para minha imensa felicidade, minha atriz favorita, Claire Danes, interpretou Mirabelle Buttersfield no cinema, em 2005. O filme recebeu o título Garota da Vitrine em português, e conta com a interpretação maravilhosa e hilária de Jason Schwartzman como Jeremy e, claro, Steve Martin não poderia deixar de aparecer - ele interpreta Ray Porter. Como toda adaptação, é claro que o filme possui algumas pequenas diferenças em relação ao que é contado no livro, mas isso não atrapalha em absolutamente nada. A delicadeza é traduzida em sua plenitude para a tela. Sou suspeita para falar da Claire Danes, pois, pra mim, ela nunca se saiu mal em um papel, e conseguiu dar a personalidade em tom exato para Mirabelle. Encerro o post com o trailer do filme, e reforço minha recomendação: Shopgirl é, independente de sua forma, uma obra-prima.